Distúrbios do sono e hipertensão arterial sistêmica: implicações da variabilidade da frequência cardíaca e da modulação autonômica cardiovascular
DOI:
https://doi.org/10.69849/11s7fj69Palavras-chave:
Hipertensão arterial, Variabilidade da frequência cardíaca, Exercício físico, Sistema nervoso autônomo, Reabilitação cardiovascularResumo
Os distúrbios do sono configuram-se como um relevante problema de saúde pública e apresentam associação consistente com o desenvolvimento e a progressão da hipertensão arterial sistêmica, condição fortemente relacionada à disfunção do sistema nervoso autônomo. Nesse contexto, a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) destaca-se como um marcador não invasivo amplamente utilizado para avaliar a modulação autonômica cardiovascular e o risco prognóstico em indivíduos hipertensos. Alterações na quantidade e na qualidade do sono, especialmente a fragmentação do sono e os distúrbios respiratórios relacionados ao sono, têm sido associadas à predominância simpática, à redução do tônus vagal e à perda do descenso pressórico noturno. Assim, o presente estudo teve como objetivo sintetizar as evidências recentes acerca da relação entre distúrbios do sono, variabilidade da frequência cardíaca e hipertensão arterial sistêmica, com ênfase nos mecanismos fisiopatológicos envolvidos. Trata-se de uma revisão sistemática da literatura conduzida na base PubMed, no período correspondente aos últimos cinco anos, utilizando os descritores “Sleep Disorders” AND “Heart Rate Variability” AND “Hypertension” NOT “Animals”, com filtros para artigos disponíveis na íntegra e publicados nos idiomas inglês ou português. Diferentemente de revisões anteriores, revisões sistemáticas foram incluídas. Inicialmente, nove estudos foram identificados, dos quais quatro atenderam aos critérios de elegibilidade após triagem por títulos, resumos e leitura completa. Os resultados indicaram que os distúrbios do sono, particularmente a apneia obstrutiva do sono e a fragmentação do sono, associam-se a alterações da VFC compatíveis com maior ativação simpática, redução da modulação parassimpática e pior controle da pressão arterial. Abordagens integradas, como o acoplamento cardiopulmonar, mostraram-se promissoras para caracterizar a estabilidade do sono e sua relação com a pressão arterial noturna. Além disso, mecanismos inflamatórios, oxidativos e alterações em biomarcadores de envelhecimento vascular, como Klotho e sirtuínas, foram implicados na mediação desses efeitos. Conclui-se que os distúrbios do sono exercem influência significativa sobre a modulação autonômica cardiovascular e o controle da hipertensão arterial sistêmica, configurando-se como fatores de risco modificáveis, embora a heterogeneidade metodológica dos estudos ressalte a necessidade de investigações futuras com maior padronização e delineamentos longitudinais.
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