Puberdade precoce associada ao uso de mídias digitais (tempo de tela/redes sociais): uma revisão sistemática da literatura.
DOI:
https://doi.org/10.69849/vd5t4356Palavras-chave:
Puberdade precoce, Tempo de tela, Mídias digitais, Sedentarismo, SonoResumo
A puberdade precoce caracteriza-se pelo aparecimento de sinais puberais antes dos oito anos em meninas e dos nove anos em meninos, com possíveis repercussões físicas, psicossociais e metabólicas. Paralelamente, aumentou a exposição de crianças e adolescentes a mídias digitais (tempo de tela, incluindo redes sociais), com potencial impacto sobre padrões de sono, atividade física e composição corporal, fatores capazes de influenciar a ativação do eixo hipotálamo–hipófise–gonadal. Objetivo: analisar, por revisão sistemática, a relação entre exposição a telas/mídias digitais e desfechos de puberdade precoce ou desenvolvimento puberal adiantado. Métodos: a revisão seguiu as recomendações PRISMA 2020 e incluiu buscas em PubMed/MEDLINE, Web of Science, LILACS e SciELO. Resultados: identificaram-se 245 registros; após remoção de duplicatas e triagem, seis estudos observacionais foram incluídos. Em conjunto, os estudos sugerem que sedentarismo, excesso de peso e alterações do sono, frequentemente associados a maior tempo de tela, relacionam-se ao adiantamento puberal, sobretudo em meninas; entretanto, a associação direta com tempo de tela isolado foi heterogênea. Conclusão: a literatura aponta que comportamentos ligados ao uso de mídias digitais podem contribuir para adiantamento puberal principalmente por mecanismos mediadores (sedentarismo, ganho ponderal e sono), sendo necessários estudos longitudinais com mensuração padronizada da exposição digital e controle de confundidores.
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