Líquido cefalorraquidiano na primeira síndrome desmielinizante pediátrica: valor diagnóstico e prognóstico na evolução para esclerose múltipla
DOI:
https://doi.org/10.69849/wdvavt13Palavras-chave:
Líquido cefalorraquidiano, Esclerose múltipla, Doenças desmielinizantes, Pediatria, BiomarcadoresResumo
As doenças desmielinizantes do sistema nervoso central na infância constituem um grupo heterogêneo de condições imunomediadas cujo diagnóstico e prognóstico permanecem desafiadores, especialmente no primeiro evento clínico. Este estudo tem como objetivo analisar o papel do líquido cefalorraquidiano na diferenciação diagnóstica e na estratificação prognóstica das principais doenças desmielinizantes pediátricas, com ênfase na evolução para esclerose múltipla. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada na análise crítica de estudos relevantes sobre biomarcadores do líquido cefalorraquidiano, incluindo bandas oligoclonais, índice de imunoglobulina G, pleocitose e níveis de proteínas. Os achados demonstram que a presença de bandas oligoclonais e o aumento do índice de imunoglobulina G estão associados a maior risco de conversão para esclerose múltipla, refletindo inflamação intratecal crônica, enquanto perfis caracterizados por pleocitose mais acentuada e ausência de síntese intratecal persistente tendem a estar relacionados a doenças monopásicas, como encefalomielite disseminada aguda e doença associada ao anticorpo anti-MOG. Além disso, a interpretação dos parâmetros do líquido cefalorraquidiano, quando integrada aos dados clínicos e de neuroimagem, aumenta significativamente a acurácia diagnóstica e a capacidade de previsão da evolução da doença. Conclui-se que o líquido cefalorraquidiano representa uma ferramenta essencial na abordagem das doenças desmielinizantes pediátricas, contribuindo para uma avaliação mais precisa, individualizada e orientada ao risco, embora persistam lacunas na literatura que demandam estudos prospectivos e padronizados.
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