Estresse crônico e doenças cardiovasculares: mecanismos autonômicos, inflamatórios e mitocondriais na gênese e progressão da disfunção cardiovascular
DOI:
https://doi.org/10.69849/g81hm862Palavras-chave:
Estresse crônico, Doenças cardiovasculares, Sistema nervoso autônomo, Inflamação, Disfunção mitocondrialResumo
O estresse crônico tem sido reconhecido como um importante determinante psicossocial da saúde cardiovascular, exercendo influência significativa sobre a incidência, progressão e prognóstico das doenças cardiovasculares. Diferentemente do estresse agudo, a exposição prolongada a estressores promove ativação persistente de eixos neuroendócrinos e autonômicos, com repercussões sistêmicas que afetam a homeostase cardiovascular, metabólica e inflamatória. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo sintetizar as evidências recentes acerca dos efeitos do estresse crônico sobre o sistema cardiovascular, com ênfase nos mecanismos autonômicos, neuroendócrinos, inflamatórios, oxidativos e mitocondriais envolvidos. Trata-se de uma revisão sistemática da literatura conduzida na base PubMed, abrangendo estudos publicados nos últimos cinco anos, utilizando os descritores “Chronic Stress” AND “Cardiovascular Disease” NOT “Animals”, com filtros para artigos originais, disponíveis na íntegra e redigidos em inglês ou português. Inicialmente, 89 estudos foram identificados, dos quais 11 atenderam aos critérios de elegibilidade após triagem por títulos, resumos e leitura completa. Os resultados demonstraram que o estresse crônico associa-se de forma consistente à hiperativação do eixo hipotálamo–hipófise–adrenal e do sistema nervoso simpático, à redução da modulação parassimpática, ao aumento da inflamação sistêmica de baixo grau, ao estresse oxidativo e à disfunção mitocondrial, mecanismos que contribuem para disfunção endotelial, rigidez arterial, remodelamento cardiovascular e maior risco de eventos cardiovasculares. Além disso, fatores comportamentais e psicossociais, como sedentarismo, distúrbios do sono e alterações do humor, amplificam os efeitos deletérios do estresse sobre o sistema cardiovascular. Conclui-se que o estresse crônico constitui um fator de risco cardiovascular relevante e modificável, devendo ser incorporado de forma sistemática à avaliação e ao manejo clínico das doenças cardiovasculares, embora a heterogeneidade metodológica dos estudos ressalte a necessidade de investigações futuras com maior padronização e delineamentos longitudinais.
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