Perfil epidemiológico da leishmaniose visceral na região nordeste do Brasil entre 2020 a 2025

Autores

  • Ana Clara da Silva Universidade Estadual de Alagoas - AL - Brasil Autor
  • Mabel Alencar do Nascimento Rocha Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas - Maceió, AL - Brasil Autor
  • Keilla Sabrina de Souza Rosendo Universidade Estadual de Alagoas - AL - Brasil Autor
  • Beatriz Soares de Lira Universidade Estadual de Alagoas - AL - Brasil Autor
  • Cicera Maria Alencar do Nascimento Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas - Maceió - AL - Brasil Autor

DOI:

https://doi.org/10.69849/xm572f72

Palavras-chave:

Epidemiologia, Leishmaniose Visceral, Nordeste brasileiro

Resumo

As doenças negligenciadas são especialmente prevalentes em áreas tropicais apresentando um  forte caráter socioeconômico, pois atingem as comunidades mais vulneráveis e carentes de  acesso à saúde ao redor do mundo. Essas doenças apresentam uma epidemiologia complexa,  influenciada pelo tempo e espaço, muitas delas são de transmissão vetorial e/ou estão associadas  a reservatórios animais e ciclos biológicos complexos, o que gera uma situação desafiadora na  perspectiva de saúde pública. Entre essas doenças está a Leishmaniose Visceral, uma zoonose  endêmica nas regiões brasileiras que é debilitante e de evolução crônica caracterizada por  acessos febris irregulares, perda de peso, hepatoesplenomegalia e anemia e quando não tratada,  pode evoluir para óbito. O objetivo do trabalho foi analisar o perfil epidemiológico da  Leishmaniose Visceral na Região Nordeste no período de 2020 a 2025.A metodologia foi  baseada em pesquisa bibliográfica a partir da análise de artigos científicos, obtidos nas bases de  dados tais como: SciELO, PubMed, LILACS e BVS. Os resultados indicam manutenção do  padrão endêmico regional, com concentração de casos em áreas urbanas periféricas e  municípios historicamente vulneráveis, além de predominância do sexo masculino e  acometimento expressivo de crianças e adultos jovens, evidenciando dupla vulnerabilidade  etária. Observam-se oscilações nas taxas de incidência após 2020, as quais podem refletir tanto impactos indiretos da pandemia na vigilância quanto fragilidades nos sistemas de notificação.  Ademais, a persistência de óbitos e a centralização de internações em capitais revelam  desigualdades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento oportuno. Conclui-se que a dinâmica  regional e os determinantes sociais da saúde, demanda do fortalecimento da vigilância epidemiológica com maior notificação dos casos, capacitações aos agentes comunitários de  endemias e implementação de políticas intersetoriais para enfrentamento sustentável da  endemia.

Biografia do Autor

  • Ana Clara da Silva, Universidade Estadual de Alagoas - AL - Brasil

    Graduada em Licenciatura em ciências biologicas. E-mail:  ana.silva11@alunos.uneal.edu.br

  • Mabel Alencar do Nascimento Rocha, Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas - Maceió, AL - Brasil

    Mestre em pesquisa e saúde. E-mail: mabel.rocha@uneal.edu.br

  • Keilla Sabrina de Souza Rosendo, Universidade Estadual de Alagoas - AL - Brasil

    Graduanda em Licenciatura em ciências biológicas. E-mail: keillarosendo@alunos.uneal.edu.br

  • Beatriz Soares de Lira, Universidade Estadual de Alagoas - AL - Brasil

    Graduanda em Licenciatura em ciências biológicas.  E-mail: beatrizlira@alunos.uneal.edu.br

  • Cicera Maria Alencar do Nascimento, Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas - Maceió - AL - Brasil

    Mestre em análises de sistemas ambientais. E-mail: cicera.nascimento@uncisal.edu.br

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Publicado

31.03.2026

Como Citar

Silva, A. C. da, Rocha, M. A. do N., Rosendo, K. S. de S., Lira, B. S. de, & Nascimento, C. M. A. do. (2026). Perfil epidemiológico da leishmaniose visceral na região nordeste do Brasil entre 2020 a 2025. Revista Ft, 30(156), 01-19. https://doi.org/10.69849/xm572f72