Dano existencial em decorrência de abusos sexuais contra mulheres e crianças nas comunidades ribeirinhas do Amazonas

Autores

  • Quezia Chaves Pacheco Centro Universitário Fametro Autor
  • Marina das Graças de Paula Araújo Autor

DOI:

https://doi.org/10.69849/dbht1565

Palavras-chave:

Dano Existencial, Abuso Sexual, Comunidades Ribeirinhas, Responsabilidade Civil Do Estado, Dignidade Humana, Proteção Integral

Resumo

O presente trabalho analisa o dano existencial decorrente de abusos sexuais praticados contra mulheres e crianças nas comunidades ribeirinhas do Amazonas, examinando de que forma a violência sexual, associada à omissão estrutural do Estado, produz consequências profundas e duradouras sobre o projeto de vida das vítimas. A pesquisa parte do reconhecimento de que as populações ribeirinhas vivem em condição de vulnerabilidade multidimensional, marcada pelo isolamento geográfico, pela ausência de serviços públicos essenciais e pela inexistência de redes de proteção social efetivas, fatores que amplificam os efeitos devastadores da violência sexual e dificultam o acesso das vítimas à justiça. Com base em revisão bibliográfica e análise da legislação pertinente, em especial a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei Maria da Penha e a Lei n.º 13.431/2017, o trabalho discute os fundamentos constitucionais da responsabilidade civil do Estado por omissão, demonstrando que o descumprimento reiterado dos deveres positivos de proteção às crianças e às mulheres ribeirinhas configura uma falha estrutural do serviço público, juridicamente apta a fundamentar a responsabilização estatal. A pesquisa sustenta que a reparação integral dessas vítimas exige, além da compensação pecuniária, a imposição de obrigações de fazer ao Estado, consubstanciadas na prestação de serviços terapêuticos, educacionais e de reinserção social adaptados às especificidades das comunidades ribeirinhas. Conclui-se que o reconhecimento jurídico do dano existencial, articulado à responsabilidade civil estatal por omissão, representa um caminho necessário para a efetivação da dignidade humana e para a transformação das condições estruturais que perpetuam a violência sexual nessas comunidades.

Biografia do Autor

  • Quezia Chaves Pacheco, Centro Universitário Fametro

    Graduando(a) do curso de Bacharelado em Direito pelo Centro Universitário Fametro.

    E-mail: quezia.chaves26@gmail.com

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Publicado

31.03.2026

Como Citar

Pacheco, Q. C., & Araújo, M. das G. de P. (2026). Dano existencial em decorrência de abusos sexuais contra mulheres e crianças nas comunidades ribeirinhas do Amazonas. Revista Ft, 30(156), 01-16. https://doi.org/10.69849/dbht1565