O papel da enfermagem frente à morte encefálica e à doação de órgãos: uma revisão integrativa.
DOI:
https://doi.org/10.69849/gw2g8221Palavras-chave:
Assistência de Enfermagem, Bioética, Capacitação profissional, Empatia, HumanizaçãoResumo
A morte encefálica (ME), reconhecida legalmente no Brasil pela Resolução CFM nº 2.173/2017, representa um desafio técnico, ético e emocional no contexto hospitalar, especialmente diante da possibilidade de doação de órgãos. Nesse cenário, a atuação do enfermeiro torna-se essencial, não apenas na assistência clínica, mas também na comunicação com a família, manutenção do potencial doador e articulação com a Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT). Este trabalho teve como objetivo analisar a atuação do enfermeiro frente ao paciente em morte encefálica com potencial para doação de órgãos, destacando suas responsabilidades assistenciais, éticas e comunicacionais. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e descritiva, utilizando as bases de dados SCIELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), incluindo LILACS, BDENF e Medline. Foram utilizados os descritores: Enfermagem, Morte Encefálica e Doação de Órgãos, com recorte temporal de 2015 a 2025. Os resultados evidenciaram que a capacitação técnica e a habilidade comunicacional do enfermeiro são fundamentais para o êxito no processo de doação. Identificaram-se, ainda, desafios como a recusa familiar, a escassez de profissionais treinados e a falta de protocolos institucionais claros. Conclui-se que investir na formação contínua do enfermeiro e fortalecer o trabalho multiprofissional são estratégias essenciais para ampliar o número de doações e garantir a humanização do cuidado no processo de morte e doação. A valorização do enfermeiro nesse contexto contribui significativamente para a efetivação de políticas públicas de transplantes no Brasil.
Referências
ALVES, N. C. C. (Org.). Manejo dos pacientes em morte encefálica. Revista de Enfermagem UFPE Online, v. 12, n. 4, 2018. DOI: 10.5205/1981-8963v12i4a110145p953-961-2018.
BERTASI, R. A. D. O. (Org.) Perfil dos potenciais doadores de órgãos e fatores relacionados à doação e à não doação de órgãos de uma Organização de Procura de Órgãos. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 46, n. 3, e201922180, 2019. DOI: 10.1590/0100-6991e-
201922180.
LIMA, B. S. (Org.). Atuação do enfermeiro no paciente em morte encefálica e potencial doador de órgãos: uma revisão integrativa da literatura. Revista Saúde em Foco, v. 15, 2023.
BRASIL. Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997. Dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento. Diário Oficial da União, Brasília, 1997.
BRASIL. Decreto nº 9.175, de 18 de outubro de 2017. Regulamenta a Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997. Diário Oficial da União, Brasília, 2017.
BRASIL. M. Doação de órgãos: Brasil bate recorde de doadores de órgãos no primeiro semestre do ano. Brasília, 2023.
CALIXTO, A. C. V. Conhecimento de profissionais e trabalhadores da saúde sobre o processo de doação e transplante de órgãos e tecidos. 2019.
Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2019.
CAVALCANTE, M. B. (Org). Atuação da equipe de enfermagem na manutenção do potencial doador de órgãos. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 67, n. 6, 2014.
COSTA, I. F. (Org.). Fragilidades na atenção ao potencial doador de órgãos: percepção de enfermeiros. Revista Bioética, v. 25, n. 1, 2017. DOI: 10.1590/1983-80422017251174.
COSTA, J. R. Intenção de doar órgãos em estudantes de enfermagem: influência do conhecimento na decisão. Revista Nursing, v. 21,
n. 239, 2018.
DOMINGOS, N. G. Morte encefálica: o cuidado na perspectiva de enfermeiros e médicos de unidades de terapia intensiva. 2021. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2021.
GARDINER, D. (Org.). International perspective on the diagnosis of death.
British Journal of Anaesthesia, v. 108, supl. 1, 2012.
GOMES, N. L. (Org.). Perfil das notificações das comissões intrahospitalares de transplante de órgãos e tecidos em hospitais escola do interior de São Paulo.
Cuidarte Enfermagem, v. 8, n. 2, 2014.
KNIHS, N. S. (Org.). Brain death communication with parents of children and adolescents: care strategies. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 75, n. 3, e20210302, 2022.
MAGALHÃES, A. L. P. (Org.). Significados do cuidado de enfermagem ao paciente em morte encefálica potencial doador. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 39, e2017-0274, 2018. DOI: 10.1590/1983-1447.2018.20170274.
MAGALHÃES, A. L. P. (Org.). Gerência do cuidado de enfermagem ao paciente em morte encefálica. Revista de Enfermagem UFPE Online, v. 13, n. 4, 2019.
MOURA, A. L. G. Morte encefálica e transplante de órgãos: a importância da assistência de enfermagem prestada ao potencial doador de órgãos. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso – Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2020.
OUCHI, J. A.; LUCENA, A. M. D.; BRITO, E. F. D. Conhecimento da equipe de enfermagem sobre morte encefálica e processo de doação de órgãos.
Research, Society and Development, v. 9, n. 8, e407985082, 2020. DOI: 10.33448/rsd-v9i8.5082.
PINHEIRO, E. S.; SILVA, L. D. F. Morte encefálica e doação de órgãos: cuidados intensivos de enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 68, n. 5, 2015. DOI: 10.1590/0034-7167.2015680514i.
PINHO, T. D. S.; MASSAROLLO, M. C. K. B. Aspectos éticos da doação de órgãos e tecidos para transplante: o conhecimento e a opinião dos estudantes de graduação em enfermagem. Revista Latino-Americana de Enfermagem,
v. 12, n. 4, 2004. DOI: 10.1590/S0104-11692004000400011.
ROCHA, L. A. (Org.). Manutenção do potencial doador de órgãos: diretrizes para o cuidado de enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 71, supl. 6, p. 2018. DOI: 10.1590/0034-7167-2017-0695.
SILVA, E. R. D.; SILVA, J. S. Atuação do enfermeiro diante da morte encefálica e do processo de doação de órgãos. Revista Eletrônica Acervo Saúde, supl. 51, e7405, 2021.
SILVA, M. R. P. D. (Org.). Doação de órgãos e tecidos para transplante: uma revisão integrativa. Revista Nursing, v. 21, n. 243, 2018.
SILVA, S. C. D. S.; NOGUEIRA, L. T. Conhecimento e atitudes frente à doação de órgãos: revisão integrativa da literatura. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, v. 20, e37904, 2019. DOI: 10.15253/2175-6783.20192037904.
VIEIRA, D. L.; NOGUEIRA, L. T. Conhecimento da equipe de enfermagem sobre o diagnóstico de morte encefálica: revisão integrativa. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, v. 23, e83349, 2022. DOI: 10.15253/2175-6783.20222383349.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Vaneria Pantoja de Lima, Diala Alves de Sousa (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
"Os Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
-
Os Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0). Esta licença permite que o trabalho seja compartilhado, copiado e adaptado em qualquer suporte ou formato, para qualquer fim, inclusive comercial, desde que seja atribuído o devido crédito de autoria e de publicação inicial nesta revista.
-
Os Autores têm autorização para assumir compromissos contratuais adicionais separadamente, para a distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
-
A revista permite e incentiva os autores a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) após o processo de edição e publicação, pois isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado."