Comunicação e cultura organizacional: uma abordagem sobre os desafios estratégicos nas empresas angolanas
DOI:
https://doi.org/10.69849/4mgcrf19Palavras-chave:
Comunicação, Cultura Organizacional, Mercado Angolano, Estratégia EmpresarialResumo
O presente artigo analisa a interdependência entre a comunicação e a cultura organizacional como pilares estratégicos para a sobrevivência e competitividade das instituições no ecossistema empresarial angolano. No atual cenário de globalização, a cultura organizacional é compreendida como o "DNA" das empresas, constituindo um conjunto partilhado de valores, ritos e normas que orientam o comportamento e a tomada de decisão. Simultaneamente, a comunicação organizacional é apresentada como o eixo criador da organização, funcionando como um instrumento de gestão essencial para o alinhamento entre pessoas e setores. A investigação fundamenta-se numa metodologia de natureza bibliográfica e documental, com abordagem qualitativa, recorrendo à análise de conteúdo para cruzar teorias universais de autores como Schein e Ouchi com estudos contemporâneos focados na realidade de Angola. O diagnóstico realizado revela que o setor empresarial angolano enfrenta um dualismo económico profundo, caracterizado pelo isolamento entre o setor moderno e um tecido fragilizado de micro, pequenas e médias empresas (MPME). Identificou-se que a "delicada comunicação" entre as unidades informais e as modernas impede a transferência de tecnologia e conhecimento, dificultando a integração económica. Os resultados demonstram que a carência de organização e a ausência de fluxos comunicacionais padronizados resultam numa crise de credibilidade institucional, dificultando o acesso ao capital e a parcerias estratégicas. Além disso, o estudo destaca a influência nefasta de "comportamentos políticos" e jogos de poder, que drenam a motivação e enfraquecem o comprometimento afetivo dos trabalhadores angolanos. Conclui-se que a promoção de uma cultura íntegra, pautada pela transparência e pela justiça nos processos, é o principal veículo para fortalecer o vínculo entre o colaborador e a instituição. Como recomendações, o artigo propõe a institucionalização de políticas de comunicação duráveis, a formalização de manuais de procedimentos e a adoção da "coopetição", colaboração estratégica entre competidores, para gerar inovação e competitividade. A transição de uma cultura de "redistribuição de rendimentos" para uma focada na eficácia produtiva e na conservação de riqueza é apontada como a via fundamental para o desenvolvimento das empresas em Angola. Em suma, a comunicação e a cultura devem ser geridas não como meros acessórios, mas como ativos estratégicos que convertem a obrigação contratual em lealdade e sucesso global.
Referências
ANDRADE, V. As Experiências e Perspectivas das Pequenas e Médias e Empresas em Angola. 2002. Disponível em: http://library.fes.de/pdf-files/bueros/angola/hosting/upd12_02andrade.pdf. Acesso em: [5 de Março de 2026].
BARBOSA, M. A. M. Estratégias de negociação. 1. ed. Porto Velho: [Editora não identificada], 2017.
CHIMPOLO, J. M. F. Inovação e gestão do conhecimento no desenvolvimento organizacional. 1. ed: Nova Editora, 2020.
DIAS, F. Cultura da Empresa e Parcerias de Negócio: EduWeb, 2008. (Coleção Ferramentas para o Empreendedor).
MARTINS, A. R. J. Comportamento Organizacional e Valores de Trabalho em Angola. Dissertação (Mestrado em Gestão de Empresas) – Universidade Autónoma de Lisboa, Lisboa, 2015.
NEVES, L. S. M. A importância dos sistemas de informação para os processos nas organizações. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 5., 2016. Anais [...]., 2016. p. 1-15.
NUNES, D.; SANTOS, N. M. B. F.; NEVES, J. G. N. Cultura Organizacional, Comprometimento e Responsabilidade Social Corporativa. 1. ed: Atena Editora, 2023.
OUCHI, W. G. Theory Z: how American business can meet the Japanese challenge. New York: Addison-Wesley Pub, 1981.
PRODANOV, C. C.; FREITAS, E. C. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013.
RUÃO, T. Organização Comunicativa: teoria e prática em comunicação organizacional: CS Edições, 2016.
SANTOS, E. M. A importância da Cultura para as Organizações. In: CONGRESSO DE PESQUISA CIENTÍFICA: INOVAÇÃO, ÉTICA E SUSTENTABILIDADE, 2. Anais [s.d.].
SAYED, K. M. Gestão: técnicas de negociação. 1. ed: Sanar, 2018.
SCHEIN, E. Organizational Culture and Leadership. San Francisco: Jossey-Bass, 1992.
STRAPAZZON, T. Influência da Cultura Organizacional na Retenção dos Profissionais em Empresas de Base Tecnológica na Região Oeste de Santa Catarina. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Administração) – Universidade Federal da Fronteira Sul, 2017.
TEIXEIRA, E. L. S. PME´S Angolanas: caracterização e funcionamento. Dissertação (Mestrado em Gestão de Empresas) – Universidade Autónoma de Lisboa, Lisboa, 2020.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Ernesto Issuamo Zebedeu João (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
"Os Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
-
Os Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0). Esta licença permite que o trabalho seja compartilhado, copiado e adaptado em qualquer suporte ou formato, para qualquer fim, inclusive comercial, desde que seja atribuído o devido crédito de autoria e de publicação inicial nesta revista.
-
Os Autores têm autorização para assumir compromissos contratuais adicionais separadamente, para a distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
-
A revista permite e incentiva os autores a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) após o processo de edição e publicação, pois isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado."