Distribuição dos casos de hemorragia puerperal e fatores associados em uma maternidade pública do Sul de Minas
DOI:
https://doi.org/10.69849/qz014975Palavras-chave:
Hemorragia puerperal, Atonia uterina, Complicações obstétricas, Saúde materna, EpidemiologiaResumo
Este estudo teve como objetivo analisar a distribuição etiológica da hemorragia puerperal e sua relação com desfechos clínicos em uma maternidade pública do sul de Minas Gerais. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo, de abordagem quantitativa e delineamento descritivo-analítico, realizado com base em dados secundários de mulheres que tiveram parto entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025. Foram incluídos todos os casos com diagnóstico de hemorragia puerperal, sendo avaliadas variáveis obstétricas e desfechos clínicos, com análise estatística descritiva e inferencial. Após a reclassificação dos casos segundo o modelo dos 4 Ts, observou-se predomínio da etiologia relacionada ao tônus uterino, correspondendo a 52,5% dos casos, seguida por uma elevada proporção de casos não classificáveis. Os desfechos de maior gravidade, como hemotransfusão e internação em unidade de terapia intensiva, foram mais frequentes entre os casos não classificáveis, enquanto a maior ocorrência de intervenções cirúrgicas foi observada nos casos associados à atonia uterina. Conclui-se que a atonia uterina permanece como principal causa identificável de hemorragia puerperal, porém a alta frequência de casos sem classificação definida sugere limitações nos registros e possível caráter multifatorial da condição, reforçando a importância da padronização da documentação clínica e da abordagem sistematizada para o manejo adequado e redução de complicações maternas.
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