A relação entre saúde bucal e endocardite infecciosa: implicações clínicas e preventivas
DOI:
https://doi.org/10.69849/87jv7020Palavras-chave:
Saúde Bucal, Endocardite Bacteriana, Profilaxia Antibiótica, Doenças PeriodontaisResumo
Introdução: A endocardite infecciosa é uma doença cardiovascular grave, associada a elevada morbimortalidade, decorrente da colonização microbiana do endocárdio e das estruturas valvares cardíacas. A cavidade bucal é reconhecida como um importante reservatório de microrganismos, e condições inadequadas de saúde bucal podem favorecer episódios de bacteremia transitória, contribuindo para o desenvolvimento da endocardite infecciosa. Objetivo: Analisar a relação entre a saúde bucal e a endocardite infecciosa, com ênfase em suas implicações clínicas e estratégias preventivas, destacando o papel da odontologia na redução do risco dessa condição. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases de dados SciELO, PubMed, ScienceDirect, Cochrane Library e LILACS. Foram incluídos estudos publicados entre 2021 e 2026 que abordaram aspectos epidemiológicos, microbiológicos, fisiopatológicos e clínicos relacionados à saúde bucal e à endocardite infecciosa. Resultados: Os achados indicam que microrganismos da microbiota oral, especialmente os estreptococos do grupo viridans, estão frequentemente associados à endocardite infecciosa de origem oral. Evidenciou-se que a bacteremia cumulativa decorrente da má higiene bucal apresenta maior relevância para o desenvolvimento da doença do que episódios isolados relacionados a procedimentos odontológicos. Estratégias preventivas, como a manutenção da saúde bucal e a avaliação odontológica periódica, mostraram-se eficazes na redução do risco de endocardite infecciosa, especialmente em pacientes com condições cardíacas predisponentes. Conclusão: A saúde bucal desempenha papel fundamental na prevenção da endocardite infecciosa, sendo essencial a atuação integrada entre odontologia e cardiologia para a implementação de estratégias preventivas eficazes e para a redução de complicações sistêmicas associadas a infecções de origem bucal.
Referências
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