Automedicação de antiácidos, antieméticos e analgésicos de venda livre durante a gestação: Revisão literária integrativa sobre riscos e segurança terapêutica
DOI:
https://doi.org/10.69849/mf0d8b48Palavras-chave:
Gestação, Automedicação, Medicamentos seguros, Risco fetalResumo
O estudo tem como objetivo analisar os possíveis riscos associados à automedicação para o tratamento de sintomas comuns durante a gravidez, com medicamentos de uso habitual e de venda livre, especialmente antiácidos, antieméticos, analgésicos e anti inflamatórios não esteroidais durante a gestação, abordando seus potenciais efeitos adversos e as possíveis consequências para o desenvolvimento fetal. A pesquisa busca compreender como o uso inadequado desses fármacos pode impactar a saúde materno-fetal, além de discutir alternativas terapêuticas mais seguras e a importância do acompanhamento médico durante todo o período gestacional. O trabalho também destaca a relevância de se considerar o trimestre gestacional na escolha e na administração de medicamentos, visto que a segurança terapêutica pode variar de acordo com as fases da gravidez. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, do tipo descritivo, realizado por meio de revisão integrativa da literatura, com base em dados secundários obtidos em bases científicas e documentos oficiais. Os resultados evidenciaram que a automedicação durante a gestação é uma prática frequente, especialmente para o manejo de sintomas como náuseas, vômitos, pirose, cefaleia e dores musculoesqueléticas. Entre os medicamentos mais utilizados destacam-se analgésicos, antiácidos e antieméticos. Contudo, alguns desses fármacos podem apresentar potenciais riscos ao desenvolvimento fetal, especialmente quando utilizados sem orientação profissional ou em determinados períodos da gestação. Em contrapartida, alternativas terapêuticas consideradas mais seguras, foram descritas na literatura quando utilizadas de forma adequada. Conclui-se que, embora existam opções terapêuticas relativamente seguras para o manejo de sintomas comuns da gestação, a automedicação pode representar riscos para o binômio materno-fetal. Dessa forma, reforça-se a importância da orientação por profissionais de saúde e do uso racional de medicamentos durante a gravidez.
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