Rádio comunitária e inclusão social em contexto de conflito: o caso das rádios de Ancuabe e Chiúre em Cabo Delgado (2022-2024)
DOI:
https://doi.org/10.69849/7ftdak91Palavras-chave:
Rádio comunitária, Inclusão social, Populações deslocadas, Conflito armado, Cabo DelgadoResumo
O presente artigo analisa o contributo das rádios comunitárias de Ancuabe e Chiúre para a inclusão social das populações deslocadas pelo conflito armado em Cabo Delgado, no período de 2022 a 2024. A investigação, de abordagem mista com predominância qualitativa, recorreu a entrevistas semiestruturadas, questionários e observação directa, envolvendo gestores e comunicadores das rádios, membros das comunidades deslocadas, líderes comunitários e representantes de organizações parceiras. Os resultados revelam que as rádios comunitárias promovem a inclusão social através de três dimensões fundamentais: informação e acesso a serviços, onde se destacam a divulgação de informações sobre assistência humanitária, saúde, educação e direitos; expressão e representação social, materializada na criação de espaços para testemunhos e programas produzidos por deslocados; e sensibilização e mobilização comunitária, que contribui para a desconstrução de estereótipos e para a promoção do diálogo entre deslocados e comunidades de acolhimento. A investigação identifica, contudo, diferenças significativas entre os dois distritos, com Chiúre a apresentar formas mais directas e avançadas de participação e Ancuabe a registar uma participação mais mediada e cautelosa, reflectindo desafios relacionados com a confiança, o receio de exposição e as barreiras linguísticas. Conclui-se que as rádios comunitárias desempenham um papel estruturante na inclusão social, mas que este papel é atravessado por tensões e contradições que exigem estratégias deliberadas de aprofundamento e alargamento das práticas inclusivas.
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