Relação entre o uso de psicoestimulantes e o desempenho acadêmico em estudantes de medicina
DOI:
https://doi.org/10.69849/p9n3gd14Palavras-chave:
Automedicação, Saúde mental, Neuroaprimoramento, Estudantes universitáriosResumo
O uso de psicoestimulantes entre estudantes de Medicina tem se consolidado como um fenômeno crescente, associado às elevadas exigências acadêmicas, à competitividade e à busca por melhor desempenho cognitivo. Nesse contexto, substâncias como metilfenidato, anfetaminas e cafeína vêm sendo utilizadas, muitas vezes sem prescrição médica, com a finalidade de aumentar a concentração, prolongar o tempo de estudo e reduzir a fadiga. Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre o uso de psicoestimulantes e o desempenho acadêmico em estudantes de Medicina, identificando fatores motivadores, padrões de consumo e possíveis repercussões para a saúde. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, desenvolvida a partir de publicações entre 2016 e 2026, selecionadas nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS e Google Scholar, com uso de descritores em português, inglês e espanhol. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 18 artigos compuseram a amostra final, sendo analisados de forma narrativa e categorial conforme a proposta de Bardin. Os resultados evidenciaram que o uso de psicoestimulantes está fortemente relacionado à pressão acadêmica, à sobrecarga de estudos e à influência do ambiente universitário, destacando-se a utilização dessas substâncias em períodos de maior demanda, como semanas de provas. Observou-se que, embora os estudantes relatem melhora temporária na concentração e produtividade, não há evidências consistentes de benefícios significativos no desempenho acadêmico a longo prazo. Além disso, foram identificados efeitos adversos relevantes, como ansiedade, insônia, irritabilidade e risco de dependência, bem como implicações éticas na formação médica. Conclui-se que o uso indiscriminado de psicoestimulantes representa um importante problema de saúde entre estudantes de Medicina, demandando a implementação de estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde mental, ao uso racional de medicamentos e ao incentivo de práticas acadêmicas mais saudáveis e sustentáveis.
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