Análise da mortalidade de receptores de transplante hepático no Ceará a partir de doadores do Piauí

Autores

  • Jéssica Maria de Brito Silva Mesquita Autor
  • Yllana Beatriz Ribeiro Mascarenhas Autor
  • Wellington Ribeiro Figueiredo Autor

DOI:

https://doi.org/10.69849/nfa0a698

Palavras-chave:

Transplante hepático, Mortalidade, Fatores de risco, Fluxo interestadual, Ceará, Piauí

Resumo

O transplante hepático constitui a principal alternativa terapêutica para pacientes com doenças hepáticas em estágio terminal, sendo determinante para a redução da mortalidade e melhora da qualidade de vida. Este estudo teve como objetivo analisar a mortalidade de receptores de transplante hepático no estado do Ceará, a partir de órgãos provenientes de doadores do Piauí, com ênfase nos fatores clínicos, epidemiológicos e logísticos associados aos desfechos. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com busca realizada em bases de dados nacionais e internacionais, incluindo estudos publicados entre 2020 e 2025, além de documentos oficiais do sistema de transplantes brasileiro. Os resultados evidenciaram que as taxas de mortalidade pós-transplante estão relacionadas principalmente às condições clínicas dos receptores, como gravidade da doença hepática e presença de comorbidades, bem como a complicações pós-operatórias, incluindo infecções e falência primária do enxerto. O perfil dos doadores do Piauí, caracterizado predominantemente por indivíduos jovens do sexo masculino, mostrou-se favorável à qualidade dos órgãos. Entretanto, fatores logísticos, como o tempo de isquemia fria decorrente do transporte interestadual, influenciam negativamente os desfechos clínicos. Observou-se ainda que a concentração de centros transplantadores no Ceará evidencia desigualdades regionais no acesso ao transplante hepático, resultando em dependência de fluxos interestaduais de órgãos. Conclui-se que, embora haja avanços significativos na área, a mortalidade pós-transplante permanece associada a múltiplos fatores, sendo necessário o fortalecimento das políticas públicas, a melhoria da logística e a otimização dos critérios de seleção para reduzir riscos e ampliar a sobrevida dos pacientes.

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Publicado

09.05.2026

Como Citar

Mesquita, J. M. de B. S. ., Mascarenhas , Y. B. R., & Figueiredo, W. R. (2026). Análise da mortalidade de receptores de transplante hepático no Ceará a partir de doadores do Piauí. Revista Ft, 30(158), 01-13. https://doi.org/10.69849/nfa0a698