Confiabilidade do atendimento em farmácia comunitária: padronização, capacitação de equipes e governança por indicadores em redes de serviços

Autores

  • Giselle Ávila Sousa Farmacêutica e Bioquímica, Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO), Brasil. Autor

DOI:

https://doi.org/10.69849/e8spzd47

Palavras-chave:

farmácia comunitária, padronização do atendimento, treinamento de equipes, indicadores de desempenho, ciência da implementação, qualidade em serviços, gestão em saúde

Resumo

A farmácia comunitária atua na fronteira entre varejo e cuidado em saúde, de modo que a qualidade do atendimento e a consistência de processos se tornam determinantes para segurança do paciente e sustentabilidade do serviço. Em redes de farmácias, esse desafio é ampliado pela variabilidade entre unidades, rotatividade de equipes e pressão por desempenho. Este artigo apresenta um ensaio teórico orientado por implementação de serviços, propondo um framework de reestruturação operacional baseado em dois vetores integrados: padronização do atendimento e capacitação de equipes. A padronização é discutida como estratégia para reduzir a variabilidade e elevar a confiabilidade do serviço, por meio de processos críticos, linguagem de atendimento e rotinas de segurança, sem “robotizar” o balcão. A capacitação é tratada como desenvolvimento de competências clínicas e comunicacionais capazes de traduzir princípios do pharmaceutical care em interações viáveis em tempo real. O texto articula o modelo à literatura internacional de qualidade em saúde e ciência da implementação, destacando adoção, fidelidade, viabilidade e manutenção como condições de sustentação. Por fim, propõe uma arquitetura pragmática de indicadores de processo, experiência e segurança, recomendando avaliação prospectiva futura em desenhos simples e auditáveis.

Referências

BERO, L. A. et al. Closing the gap between research and practice: an overview of systematic reviews of interventions to promote the implementation of research findings. BMJ, v. 317, n. 7156, p. 465-468, 1998. DOI: 10.1136/bmj.317.7156.465.

DAMSCHRODER, L. J. et al. Fostering implementation of health services research findings into practice: a consolidated framework for advancing implementation science. Implementation Science, v. 4, art. 50, 2009. DOI: 10.1186/1748-5908-4-50.

DEMING, W. E. Out of the crisis. Cambridge, MA: Massachusetts Institute of Technology, Center for Advanced Engineering Study, 1986.

DONABEDIAN, A. The quality of care: how can it be assessed? JAMA, v. 260, n. 12, p. 1743-1748, 1988. DOI: 10.1001/jama.260.12.1743.

FIXSEN, D. L. et al. Implementation research: a synthesis of the literature. Tampa, FL: University of South Florida, Louis de la Parte Florida Mental Health Institute; National Implementation Research Network, 2005.

GLASGOW, R. E.; VOGT, T. M.; BOLES, S. M. Evaluating the public health impact of health promotion interventions: the RE-AIM framework. American Journal of Public Health, v. 89, n. 9, p. 1322-1327, 1999. DOI: 10.2105/AJPH.89.9.1322.

GLASGOW, R. E. et al. RE-AIM Planning and Evaluation Framework: adapting to new science and practice with a 20-year review. Frontiers in Public Health, v. 7, art. 64, 2019. DOI: 10.3389/fpubh.2019.00064.

HEPLER, C. D.; STRAND, L. M. Opportunities and responsibilities in pharmaceutical care. American Journal of Hospital Pharmacy, v. 47, n. 3, p. 533-543, 1990.

IVERS, N. et al. Audit and feedback: effects on professional practice and healthcare outcomes. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 6, CD000259, 2012. DOI: 10.1002/14651858.CD000259.pub3.

JURAN, J. M.; GODFREY, A. B. Juran’s quality handbook. 5. ed. New York: McGraw-Hill, 1999.

KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. The Balanced Scorecard—Measures that drive performance. Harvard Business Review, v. 70, n. 1, p. 71-79, 1992.

KOTTER, J. P. Leading change. Boston: Harvard Business School Press, 1996.

LANGLEY, G. J. et al. The improvement guide: a practical approach to enhancing organizational performance. 2. ed. San Francisco: Jossey-Bass, 2009.

MICHIE, S.; VAN STRALEN, M. M.; WEST, R. The behaviour change wheel: a new method for characterising and designing behaviour change interventions. Implementation Science, v. 6, art. 42, 2011. DOI: 10.1186/1748-5908-6-42.

MOULLIN, J. C. et al. A systematic review of implementation frameworks of innovations in healthcare and resulting generic implementation framework. Health Research Policy and Systems, v. 13, art. 16, 2015. DOI: 10.1186/s12961-015-0005-z.

OGRINC, G. et al. SQUIRE 2.0 (Standards for QUality Improvement Reporting Excellence): revised publication guidelines from a detailed consensus process. BMJ Quality & Safety, v. 25, n. 12, p. 986-992, 2016. DOI: 10.1136/bmjqs-2015-004411.

PINNOCK, H. et al. Standards for Reporting Implementation Studies (StaRI) statement. BMJ, v. 356, i6795, 2017. DOI: 10.1136/bmj.i6795.

PORTER, M. E. What is value in health care? The New England Journal of Medicine, v. 363, n. 26, p. 2477-2481, 2010. DOI: 10.1056/NEJMp1011024.

PROCTOR, E. et al. Outcomes for implementation research: conceptual distinctions, measurement challenges, and research agenda. Administration and Policy in Mental Health and Mental Health Services Research, v. 38, n. 2, p. 65-76, 2011. DOI: 10.1007/s10488-010-0319-7.

PROCTOR, E. K.; POWELL, B. J.; MCMILLEN, J. C. Implementation strategies: recommendations for specifying and reporting. Implementation Science, v. 8, art. 139, 2013. DOI: 10.1186/1748-5908-8-139.

ROGERS, E. M. Diffusion of innovations. 5. ed. New York: Free Press, 2003.

SENGE, P. M. The fifth discipline: the art and practice of the learning organization. New York: Doubleday/Currency, 1990.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Medication without harm: global patient safety challenge on medication safety. Geneva: World Health Organization, 2017.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Framework for action on interprofessional education & collaborative practice. Geneva: World Health Organization, 2010.

WIEDENMAYER, K. et al. Developing pharmacy practice: a focus on patient care. Geneva: World Health Organization; The Hague: International Pharmaceutical Federation, 2006.

YIN, R. K. Case study research and applications: design and methods. 6. ed. Thousand Oaks, CA: SAGE, 2018.

Downloads

Publicado

09.03.2026

Como Citar

Sousa, G. Ávila. (2026). Confiabilidade do atendimento em farmácia comunitária: padronização, capacitação de equipes e governança por indicadores em redes de serviços. Revista Ft, 30(156), 01-12. https://doi.org/10.69849/e8spzd47