Persistência do HPV após tratamento de lesões de alto grau: preditores e desfechos
DOI:
https://doi.org/10.69849/agvktk62Palabras clave:
Papilomavírus humano, Persistência viral, Lesões intraepiteliais cervicais, Preditores clínicos, Seguimento pós-tratamentoResumen
A persistência do papilomavírus humano (HPV) após o tratamento de lesões intraepiteliais cervicais de alto grau constitui um importante desafio clínico, uma vez que está diretamente associada à recorrência da doença e ao risco de progressão para o câncer do colo do útero. Embora os procedimentos excisionais apresentem elevada eficácia na remoção das lesões, a eliminação histológica não garante a erradicação viral, tornando essencial o monitoramento pós-tratamento baseado em evidências científicas. O presente estudo teve como objetivo analisar os principais preditores associados à persistência do HPV após o tratamento de lesões de alto grau, bem como os desfechos clínicos relacionados a essa condição. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Scopus e Web of Science, abrangendo artigos publicados entre 2021 e 2026. Foram incluídos estudos originais disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a persistência do HPV, seus fatores preditores e desfechos clínicos após tratamento excisional. Ao final do processo de seleção, 17 artigos compuseram a amostra desta revisão. Os resultados evidenciaram que os principais preditores da persistência viral incluem a presença de genótipos de alto risco, especialmente o HPV 16, a positividade do teste de HPV no seguimento pós-tratamento, margens cirúrgicas comprometidas, idade avançada, elevada carga viral, coinfecção por múltiplos genótipos e condições de imunossupressão. Entre os desfechos clínicos mais frequentes destacam-se a recorrência de lesões intraepiteliais de alto grau, necessidade de retratamentos, prolongamento do seguimento clínico e aumento dos custos assistenciais. Conclui-se que o acompanhamento pós-tratamento baseado na detecção molecular do HPV e na estratificação de risco individual constitui estratégia fundamental para reduzir a recorrência e otimizar os desfechos clínicos, contribuindo para o fortalecimento das ações de prevenção do câncer do colo do útero.
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