O uso de simulação realística no ensino de habilidades de comunicação em cursos de medicina: uma revisão de escopo
DOI:
https://doi.org/10.69849/a5n1vh46Palavras-chave:
Treinamento por Simulação, Comunicação em Saúde, Educação MédicaResumo
INTRODUÇÃO: A comunicação efetiva entre médico e paciente é competência fundamental na formação médica, estando associada à adesão terapêutica, à precisão diagnóstica e à humanização do cuidado. A simulação realística emerge como estratégia pedagógica inovadora para o ensino dessas habilidades, permitindo a prática em ambiente controlado e seguro. OBJETIVO: Mapear e sintetizar as evidências disponíveis sobre o uso da simulação realística no ensino de habilidades de comunicação em cursos de medicina. MÉTODOS: Revisão de escopo conduzida conforme protocolo do Instituto Joanna Briggs, com busca na base de dados PubMed utilizando os descritores "Simulation Training", "Health Communication" e "Education, Medical". Foram incluídos estudos publicados entre 2018 e 2025, nos idiomas português e inglês, totalizando 16 artigos selecionados para análise. RESULTADOS: Os estudos demonstraram que a simulação realística é efetiva para o desenvolvimento de habilidades comunicacionais, especialmente na comunicação de más notícias, presente em 81,2% das publicações. O debriefing e o feedback estruturado emergiram como componentes pedagógicos centrais. Foram identificadas diferentes modalidades de simulação, incluindo pacientes padronizados, atores treinados e pacientes virtuais. CONCLUSÃO: A simulação realística constitui estratégia pedagógica valiosa para o ensino de habilidades de comunicação em medicina, com benefícios consistentes para autoconfiança, competência técnica e abordagem centrada no paciente. Novos estudos com maior rigor metodológico são necessários para avaliar a transferência das habilidades para a prática clínica real.
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