"Associação de síndrome metabólica na esquizofrenia: uma comparação sistemática entre antipsicóticos atípicos e típicos"
DOI:
https://doi.org/10.69849/77y7az29Palavras-chave:
Esquizofrenia, Antipsicóticos, Síndrome Metabólica, Ganho de Peso, Revisão SistemáticaResumo
A esquizofrenia é um transtorno mental grave, caracterizado por sintomas como alucinações e embotamento afetivo, que exige terapia medicamentosa contínua com antipsicóticos e acompanhamento psicológico ao longo da vida. Contudo, os efeitos adversos dessas medicações, tanto de 1ª quanto de 2ª geração, estão intimamente associados ao desenvolvimento da Síndrome Metabólica (SM), uma complicação que impacta de forma direta a sobrevida dos pacientes. Diante disso, este estudo objetivou avaliar a associação entre o uso de antipsicóticos atípicos (segunda geração), em comparação aos típicos (primeira geração), e a incidência ou prevalência de SM em adultos com esquizofrenia. Trata-se de uma revisão sistemática norteada pelas diretrizes PRISMA, com buscas estruturadas pelo acrônimo PICO nas bases PubMed, Embase e LILACS. Incluíram-se ensaios clínicos e estudos observacionais (2021-2025), com seleção e extração de dados por pares via software Rayyan. Sete estudos compuseram a amostra final, englobando mais de 20.000 pacientes. A curto e médio prazo, os atípicos (sobretudo olanzapina e clozapina) demonstraram risco substancialmente maior para SM, induzindo resistência à insulina precocemente via elevação do fator inibidor de macrófagos (MIF). Contudo, notou-se forte heterogeneidade intraclasse, com a risperidona apresentando perfil metabólico favorável. A longo prazo (5 anos), a suposta superioridade de segurança dos típicos não se sustentou: em indivíduos com sobrepeso basal, antipsicóticos de primeira geração (como haloperidol e tioridazina) induziram obesidade em taxas (42% a 46%) equivalentes ou superiores às da olanzapina. Conclui-se que a dicotomia clássica de segurança metabólica entre antipsicóticos típicos e atípicos é imprecisa. A prescrição exige estrita individualização baseada no estado metabólico prévio do paciente (IMC basal), tornando imperativo o monitoramento cardiometabólico precoce e contínuo, independentemente da classe farmacológica adotada.
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