Comparação neurofarmacológica entre lisdexanfetamina e cocaína: mecanismos dopaminérgicos, circuito de recompensa e síndrome depressiva pós-estimulante

Autores/as

  • Yuri Oliveira Autor/a
  • Adrielly Xavier de Azevedo Autor/a
  • Gabriel Peixoto Ribeiro Autor/a
  • Denis Maciel Marques de Carvalho Filho Autor/a
  • Lavínia Neves Santos de Oliveira Autor/a
  • Ana Carolina Lima Silva Autor/a
  • Maurício da Silva Santana Autor/a
  • Maria Natália Carolino Sena da Silva Autor/a
  • Bruno Baldassaro Baldi Autor/a
  • Clarissa Garzedim Raydan Autor/a

DOI:

https://doi.org/10.69849/3chh1q33

Palabras clave:

psicoestimulantes, lisdexanfetamina, cocaína, dopamina, dependência

Resumen

Os psicoestimulantes constituem um grupo farmacológico capaz de promover intensa modulação da neurotransmissão monoaminérgica no sistema nervoso central. Entre essas substâncias destacam-se a lisdexanfetamina, amplamente utilizada no tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), e a cocaína, droga ilícita associada a elevado potencial de dependência e morbidade psiquiátrica. O presente estudo teve como objetivo comparar os mecanismos neurofarmacológicos dessas duas substâncias, com ênfase na modulação dopaminérgica, na ativação do sistema mesolímbico de recompensa e na síndrome depressiva observada após a interrupção do uso de estimulantes. Realizou-se uma revisão narrativa da literatura com busca sistematizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Scopus e Web of Science. Foram incluídos artigos revisados por pares publicados entre 1990 e 2024 que abordassem mecanismos de ação, neurobiologia da dependência ou efeitos dopaminérgicos relacionados às substâncias analisadas. Os resultados demonstram que a cocaína exerce seus efeitos predominantemente por meio do bloqueio do transportador de dopamina, aumentando a concentração extracelular do neurotransmissor. Em contraste, a lisdexanfetamina, após conversão metabólica em dextroanfetamina, promove aumento da dopamina sináptica por meio da reversão do transportador dopaminérgico e da modulação do transportador vesicular de monoaminas. Ambas as substâncias ativam o circuito mesolímbico de recompensa, particularmente as projeções entre a área tegmental ventral e o núcleo accumbens. Conclui-se que, embora compartilhem alvos neuroquímicos semelhantes, diferenças farmacocinéticas e farmacodinâmicas determinam perfis clínicos e potenciais de dependência distintos.

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Publicado

2026-03-14

Cómo citar

Oliveira, Y., Azevedo, A. X. de, Ribeiro, G. P., Carvalho Filho, D. M. M. de, Oliveira, L. N. S. de, Silva, A. C. L., Santana, M. da S., Silva, M. N. C. S. da, Baldi, B. B., & Raydan, C. G. (2026). Comparação neurofarmacológica entre lisdexanfetamina e cocaína: mecanismos dopaminérgicos, circuito de recompensa e síndrome depressiva pós-estimulante. Revista Ft, 30(156), 01-08. https://doi.org/10.69849/3chh1q33