Comparação neurofarmacológica entre lisdexanfetamina e cocaína: mecanismos dopaminérgicos, circuito de recompensa e síndrome depressiva pós-estimulante
DOI:
https://doi.org/10.69849/3chh1q33Palavras-chave:
psicoestimulantes, lisdexanfetamina, cocaína, dopamina, dependênciaResumo
Os psicoestimulantes constituem um grupo farmacológico capaz de promover intensa modulação da neurotransmissão monoaminérgica no sistema nervoso central. Entre essas substâncias destacam-se a lisdexanfetamina, amplamente utilizada no tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), e a cocaína, droga ilícita associada a elevado potencial de dependência e morbidade psiquiátrica. O presente estudo teve como objetivo comparar os mecanismos neurofarmacológicos dessas duas substâncias, com ênfase na modulação dopaminérgica, na ativação do sistema mesolímbico de recompensa e na síndrome depressiva observada após a interrupção do uso de estimulantes. Realizou-se uma revisão narrativa da literatura com busca sistematizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Scopus e Web of Science. Foram incluídos artigos revisados por pares publicados entre 1990 e 2024 que abordassem mecanismos de ação, neurobiologia da dependência ou efeitos dopaminérgicos relacionados às substâncias analisadas. Os resultados demonstram que a cocaína exerce seus efeitos predominantemente por meio do bloqueio do transportador de dopamina, aumentando a concentração extracelular do neurotransmissor. Em contraste, a lisdexanfetamina, após conversão metabólica em dextroanfetamina, promove aumento da dopamina sináptica por meio da reversão do transportador dopaminérgico e da modulação do transportador vesicular de monoaminas. Ambas as substâncias ativam o circuito mesolímbico de recompensa, particularmente as projeções entre a área tegmental ventral e o núcleo accumbens. Conclui-se que, embora compartilhem alvos neuroquímicos semelhantes, diferenças farmacocinéticas e farmacodinâmicas determinam perfis clínicos e potenciais de dependência distintos.
Referências
NESTLER, Eric J. Molecular basis of addiction. Nature Reviews Neuroscience, v. 2, n. 2, p. 119-128, 2001. DOI: https://doi.org/10.1038/nrn1579
VOLKOW, Nora D. et al. Addiction: beyond dopamine reward circuitry. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 108, n. 37, p. 15037-15042, 2011. DOI: https://doi.org/10.1073/pnas.1010654108
KOOB, George F.; VOLKOW, Nora D. Neurocircuitry of addiction. The Lancet Psychiatry, v. 3, n. 8, p. 760-773, 2016. DOI: https://doi.org/10.1016/S2215-0366(16)00104-8
SULZER, David et al. Mechanisms of amphetamine action. Neuron, v. 46, n. 6, p. 875-885, 2005. DOI: https://doi.org/10.1016/j.neuron.2005.10.020
RITZ, Michael C. et al. Cocaine receptors on dopamine transporters. Science, v. 237, n. 4819, p. 1219-1223, 1987. DOI: https://doi.org/10.1126/science.246.4927.1336
KALIVAS, Peter W.; VOLKOW, Nora D. The neural basis of addiction. American Journal of Psychiatry, v. 162, n. 8, p. 1403-1413, 2005. DOI: https://doi.org/10.1176/appi.ajp.162.8.1403
ROBINSON, Terry E.; BERRIDGE, Kent C. The incentive sensitization theory of addiction. Brain Research Reviews, v. 18, n. 3, p. 247-291, 1993. DOI: https://doi.org/10.1016/S0165-0173(97)00013-0
GRACE, Anthony A. Dysregulation of the dopamine system in addiction. Biological Psychiatry, v. 81, n. 9, p. 713-721, 2017. DOI: https://doi.org/10.1016/j.biopsych.2016.05.015
VOLKOW, Nora D. et al. Imaging dopamine in addiction. JAMA Psychiatry, v. 70, n. 6, p. 661-667, 2013. DOI: https://doi.org/10.1001/jamapsychiatry.2013.2765
HEAL, David J. et al. Amphetamine pharmacology. Journal of Psychopharmacology, v. 27, n. 6, p. 479-496, 2013. DOI: https://doi.org/10.1177/0269881113492033
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Yuri Oliveira, Adrielly Xavier de Azevedo, Gabriel Peixoto Ribeiro, Denis Maciel Marques de Carvalho Filho, Lavínia Neves Santos de Oliveira, Ana Carolina Lima Silva, Maurício da Silva Santana, Maria Natália Carolino Sena da Silva, Bruno Baldassaro Baldi, Clarissa Garzedim Raydan (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
"Os Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
-
Os Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0). Esta licença permite que o trabalho seja compartilhado, copiado e adaptado em qualquer suporte ou formato, para qualquer fim, inclusive comercial, desde que seja atribuído o devido crédito de autoria e de publicação inicial nesta revista.
-
Os Autores têm autorização para assumir compromissos contratuais adicionais separadamente, para a distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
-
A revista permite e incentiva os autores a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) após o processo de edição e publicação, pois isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado."