Educação Inclusiva no Ensino Superior: Barreiras e desafios para Estudantes com Cegueira Total.

Autores

  • Lurdes João Jeque Vasco Docente Assistente Universitária da Universidade Católica de Moçambique (UCM), Maputo, Moçambique. Mestre. Autor
  • Cristiana Pizarro Madureira Professora Auxiliar, Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal; Centro de Estudos em Educação e Inovação, Instituto Politécnico de Leiria, Leiria, Portugal. Autor

DOI:

https://doi.org/10.69849/c8y5r666

Palavras-chave:

Educação inclusiva, Deficiência visual, Ensino superior, Políticas educativas

Resumo

A educação inclusiva apresenta desafios significativos em diferentes níveis de ensino, sendo cada vez mais valorizada em contextos nacionais e internacionais. Diversos países adotam políticas orientadas para sistemas educacionais inclusivos, baseados nos princípios de equidade, diversidade e justiça social. Este artigo analisa as Barreiras e desafios dos Estudantes com Cegueira Total na educação inclusiva no ensino superior. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa por meio de um estudo de caso que utilizou entrevistas semiestruturadas, análise documental e observação não participante. Participaram do estudo um Diretor-Adjunto Pedagógico, quatro docentes, sete estudantes com cegueira total e dois representantes da ACAMO. A análise dos dados foi realizada com o auxílio de tabelas elaboradas no Microsoft Excel. Os resultados revelam desafios estruturais, pedagógicos e atitudinais que dificultam a operacionalização das políticas inclusivas. Destacam-se a ausência de padronização institucional, a escassez de materiais em Braille, a insuficiência de tecnologias assistivas, a falta de formação docente especializada e a persistência de atitudes discriminatórias. Verificou-se que a inclusão frequentemente permanece no plano normativo, sem efetiva tradução em práticas pedagógicas, nem em mecanismos sistemáticos de acompanhamento e avaliação. A pesquisa demonstra que a criação de condições adequadas para o acesso, comunicação e participação plena requer o envolvimento ativo de gestores, docentes, técnicos e parceiros externos. Conclui-se que a efetivação da inclusão depende de transformações culturais e institucionais, investimentos em recursos humanos e tecnológicos, adoção de estratégias pedagógicas adaptadas e criação de centros de apoio, visando um ensino superior mais equitativo, acessível e inclusivo.

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Publicado

09.03.2026

Como Citar

Vasco, L. J. J., & Madureira, C. P. (2026). Educação Inclusiva no Ensino Superior: Barreiras e desafios para Estudantes com Cegueira Total. Revista Ft, 30(156), 01-23. https://doi.org/10.69849/c8y5r666