Ativismo judicial e a (re)definição dos limites da liberdade judicial: estudo sob a ótica constitucional das condutas equiparadas ao crime de racismo nos julgados MI 4733 e ADO 26
DOI:
https://doi.org/10.69849/xbpjf592Palabras clave:
Ativismo judicial, Legalidade penal, Separação dos Poderes, Racismo, HomotransfobiaResumen
O presente estudo insere-se no debate contemporâneo acerca dos limites constitucionais do ativismo judicial na esfera penal brasileira, examinando criticamente os julgados proferidos no Mandado de Injunção n.º 4.733 e na Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão n.º 26, os quais redefiniram, no plano jurisprudencial, a proteção penal contra condutas discriminatórias. Parte-se do seguinte problema de pesquisa: a atuação do Supremo Tribunal Federal, ao equiparar a homotransfobia ao crime de racismo diante de omissão legislativa, configura legítima concretização constitucional ou representa extrapolação dos limites da jurisdição penal? O objetivo geral do trabalho consiste em analisar, à luz da Constituição Federal, os limites da atuação judicial em matéria penal, especialmente diante da tensão entre a efetividade dos direitos fundamentais e as garantias estruturantes do Estado Democrático de Direito, notadamente o princípio da legalidade estrita e a reserva legal. O artigo fundamenta-se, predominantemente, nas contribuições teóricas de Luís Roberto Barroso (2025), Alexandre de Moraes (2025) e Luigi Ferrajoli (2014), cujas abordagens permitem compreender, respectivamente, o fenômeno do ativismo judicial, os limites da jurisdição constitucional e a centralidade do garantismo penal. Para tanto, adota-se metodologia qualitativa, com abordagem dedutiva, mediante pesquisa bibliográfica em doutrina constitucional e penal, aliada à análise normativa e jurisprudencial dos precedentes do Supremo Tribunal Federal. No desenvolvimento do estudo, sustenta-se que, embora a intervenção judicial tenha promovido relevante proteção a grupos vulneráveis, seus efeitos normativos geraram tensão com a legalidade penal e com a separação dos Poderes, ao aproximar a função jurisdicional de uma atuação materialmente legislativa. Como conclusão, verifica-se que a hipótese proposta se confirma, na medida em que a ampliação interpretativa em matéria penal compromete a segurança jurídica e o equilíbrio institucional, evidenciando a necessidade de critérios rigorosos de autocontenção judicial. O trabalho justifica-se pela sua relevância teórica e prática, ao contribuir para o aprimoramento do debate sobre os limites da jurisdição constitucional penal e a preservação das garantias fundamentais em um Estado Democrático de Direito.
Referencias
ARISTÓTELES. Política. Tradução de Mário da Gama Kury. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1985.
BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo – 13ª edição 2025. 13. ed. Rio de Janeiro: SRV, 2025. E-book. p. 427-435. ISBN 9788553626861. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788553626861/. Acesso em: 07 out. 2025.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 28 out. 2025.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão n.º 26. Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 13 jun. 2019, DJe 23 out. 2019. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4515053. Acesso em: 28 out. 2025.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Mandado de Injunção n.º 4.733. Incidente n.º 4239576. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4239576. Acesso em: 08 out. 2025.
DIMOULIS, Dimitri. Significado e atualidade da separação de poderes. In: AGRA, Walber de Moura; CASTRO, Celso Luiz Braga de; TAVARES, André Ramos (Coord.). Constitucionalismo: os desafios no terceiro milênio. Belo Horizonte: Fórum, 2008. p. 215-238.
FERRAJOLI, Luigi. Direito e razão: teoria do garantismo penal. 4. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014. p. 25-48.
KELSEN, Hans. Teoria pura do direito. Tradução de João Baptista Machado. 8. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009.
LASSALLE, Ferdinand. A essência da Constituição. Prefácio de Aurélio Wander Bastos. 7. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007.
LENZA, Pedro. Coleção Esquematizado – Direito Constitucional – 29ª edição 2025. 29. ed. Rio de Janeiro: SRV, 2025. E-book. p. 501-512. ISBN 9788553628100. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788553628100/. Acesso em: 07 out. 2025.
LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo. Tradução de Julio Fischer. São Paulo: Martins Fontes, 1998. (Clássicos).
MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2021. p. 1325-1348.
MONTESQUIEU, Charles de Secondat. O espírito das leis. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional – 41ª edição 2025. 41. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2025. E-book. p. 27-35. ISBN 9786559777143. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559777143/. Acesso em: 07 out. 2025.
PAULO, Vicente; ALEXANDRINO, Marcelo. Direito Constitucional Descomplicado – 24ª edição 2025. 24. ed. Rio de Janeiro: Método, 2025. E-book. p. 781-790. ISBN 9788530996536. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788530996536/. Acesso em: 07 out. 2025.
RAMOS, Elival da Silva. Ativismo judicial: parâmetros dogmáticos. São Paulo: Saraiva, 2015.
SILVA, Rodrigo de Lima e; CAMARGO, Margarida Maria Lacombe de (Orgs.). Racismo, homofobia e o STF: uma análise da ADO 26 e do MI 4733. Curitiba: CRV, 2021.
STRECK, Lenio Luiz. Jurisdição constitucional e decisão jurídica. 4. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014. p. 89-112.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Miriã de Lima Teixeira Otávio, Marcus Vinicius Silva Coelho, Marina Teodoro (Autor)

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
"Os Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
-
Os Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0). Esta licença permite que o trabalho seja compartilhado, copiado e adaptado em qualquer suporte ou formato, para qualquer fim, inclusive comercial, desde que seja atribuído o devido crédito de autoria e de publicação inicial nesta revista.
-
Os Autores têm autorização para assumir compromissos contratuais adicionais separadamente, para a distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
-
A revista permite e incentiva os autores a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) após o processo de edição e publicação, pois isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado."